| Todo trabalho importante realizado nas empresas faz parte de algum processo (Graham e Lebaron, 1994). Não existe um produto ou um serviço oferecido por uma empresa sem um processo empresarial. Da mesma forma, não faz sentido existir um processo empresarial que não ofereça um produto ou um serviço.
Na concepção mais frequente, processo é qualquer atividade ou conjunto de atividades que toma um input, adiciona-lhe valor e fornece um output a um cliente específico. Os processos utilizam os recursos da organização para oferecer resultados objetivos aos seus clientes (Harrington, 1991).
Mais formalmente, um processo é um grupo de atividades realizadas numa seqüência lógica com o objetivo de produzir um bem ou um serviço que tem valor para um grupo específico de clientes (Hammer e Champy, 1994).
Assumindo-se tais conceitos como verdadeiros, a existência de processos enxutos e alinhados à visão estratégica do negócio é essencial à saúde e aos resultados planejados por qualquer empresa.
Como está o cenário do seu negócio?
A partir de uma visão abrangente, o que verificamos na realidade das organizações são as estruturas que determinam a modelagem dos processos de negócio (administrativos, operacionais, comerciais e de controle), com maior ou menor ênfase na centralização, descentralização, e em alguns casos, na terceirização de atividades e/ou funções.
A priori, é praticamente impossível dizer qual é o modelo ideal de estrutura para este ou aquele tipo de negócio; entretanto, duas afirmações podem ser assumidas como verdadeiras:
- A existência inevitável dos overheads (custos indiretos) nos processos de negócio, seja a partir de uma visão simplificada ou complexa, isolada ou conjunta, corporativa ou departamental.
- Cada tipo de negócio deve ter suas estruturas desenhadas a partir das reais necessidades identificadas e determinadas exclusivamente pelos processos de negócio. Vale ressaltar: independentemente do enfoque a ser adotado centralização, ou descentralização, ou terceirização, ou ainda um mix dos três modelos, caracterizada por estruturas híbridas.
Qualquer destes tipos de estrutura apresenta aspectos positivos e negativos, conforme comentado a seguir:
- Centralização – possibilita uma melhor convergência de esforços, porém requer estruturas mais inchadas que, com certeza, têm maiores custos face às demandas de toda a organização, podendo haver ainda riscos de demora nos tempos, ciclos e fluxos de trabalho.
- Descentralização – possibilita maior rapidez, agilidade e autonomia, porém é quase inevitável a duplicidade e redundância de atividades / funções havendo uma grande probabilidade de onerar sobremaneira os custos finais da operação.
- Terceirização (atividades/funções) – conceitualmente o modelo prevê a transferência de alguns custos e encargos ao fornecedor. Porém, o que se vê na prática em grande parte das aplicações, é o total desvirtuamento desse conceito. Esse desvirtuamento pode ser percebido na sua essência, quando se terceiriza atividades/funções fins, quando apenas as atividades/funções meios deveriam ser alvo desse conceito. A criação de artifícios para burlar a legislação trabalhista e reduzir encargos pode ser um bom exemplo disso.
Independentemente do modelo de estrutura optado pela organização, três posturas são imprescindíveis para a eficácia dos resultados planejados, são elas:
- A primeira é a de somente se modelar as estruturas a partir da efetiva necessidade dos processos de negócio, principalmente a partir daqueles considerados estratégicos.
- A segunda é a de se perseguir sistematicamente os menores níveis de custos indiretos para cada processo, função e atividade.
- E finalmente, que cada centavo de custos (diretos e/ou indiretos) atribuídos a um nível ou segmento de um processo efetivamente agregue valor ao seu objetivo final. É importante questionar e descartar-se aqueles que não correspondam a essa justificativa.
Essas três posturas, em outras palavras, representaram um fator determinante da maior ou menor competitividade do negócio.
É importante lembrar que qualquer reestruturação que não inclua uma significativa redução dos overheads perde muito de sua credibilidade perante a organização e o público envolvido, e obviamente sobre os efeitos planejados. Qualquer trabalho a ser realizado nesse sentido, inevitavelmente, deverá passar por uma análise e reestruturação dos processos críticos e/ou estratégicos do negócio.
Com base nessa análise, é possível avaliar aqueles que possuem a incidência de custos diretos e/ou indiretos e ainda que não agregam valor ao cliente, além de reduzir as margens competitivas da operação, em termos de produtos e serviços.
Qual é o melhor caminho?
Para uma adequada avaliação desse contexto, foi desenvolvida a metodologia voltada ao estudo dos Custos de Atividades, denominada ABC – Activity Based Costing (Robert Kaplan e Cooper), que identifica e analisa as atividades como foco de seu custeio.
Uma importante razão da utilização desta técnica é o aumento dos gastos de overhead das empresas, os quais vêm sistematicamente apresentando um crescimento significativo.
A análise de Custos de Atividades possibilita de forma precisa uma melhor gestão para:
- Apurar e controlar seus custos reais de produção e, principalmente, custos indiretos de fabricação (overhead).
- Identificar e mensurar os custos da não qualidade (falhas internas e externas, prevenção, avaliação, etc).
- Levantar informações sobre oportunidades para eliminar desperdícios e aperfeiçoar atividades.
- Eliminar/reduzir atividades que não agregam valor percebido pelo cliente ao produto e/ou serviço.
- Identificar os produtos, serviços e clientes mais lucrativos.
- Subsidiar o redimensionamento da plataforma de vendas (distribuidores e revendedores).
- Melhorar substancialmente sua base de informações para a tomada de decisões.
- Estabelecer um conjunto de indicadores de desempenho capaz de medir a eficiência e a eficácia da empresa sob os aspectos produtivo, comercial e financeiro.
De forma prática, o método ABC demonstra a relação entre Recursos consumidos (o que foi gasto: água, luz, salários etc.), Atividades Executadas (onde foi gasto: produção, vendas, informática etc.) e Objetos de Custo (para que foi gasto: produto A, produto B, Atividade “X” etc.).
Para uma análise eficaz deste contexto, o mercado já dispõe de diferentes tipos de ferramentas (softwares), que auxiliam nas análises e tomada de decisão. |